segunda-feira, 24 de maio de 2010

Universidade de Direito nos EUA, uma outra realidade

Li este texto no Blog do Bruno Azevedo, que por sinal é bastante interessante e achei por bem compartilhar com os leitores do Vide Direito.

"O texto é uma contribuição enviada por Ludmila Oliveira e Tarcísio Magalhães,estudantes do 7º período da Faculdade de Direito da UFMG, intercambistas na University of Wisconsin-Madison.

Em julho de 2008, recebemos a notícia de que havíamos sido aprovados no Programa de Mobilidade Discente Internacional do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal de Minas Gerais para cursar o segundo semestre de 2009 na University of Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos da América.

Ficamos extremamente felizes, mas, ao mesmo tempo, receosos de como seria estudar em uma universidade em outro país, cujo sistema jurídico é tão diverso do nosso. Por se tratar de um país adepto do Common Law, optamos por cursar disciplinas relacionadas ao Direito Internacional, além de Direito Americano.

O meio acadêmico nos Estados Unidos é extremamente diferente do brasileiro: a faculdade, os professores, os alunos, o estilo das aulas, as formas de ensino e aprendizado, os métodos avaliativos e por aí em diante…

Vejamos:

Primeiramente, vale ressaltar que o curso de Direito é uma pós-graduação (chamada de graduation). Em outras palavras, é necessário ter um diploma de um curso de 4 anos (undergraduation) para ingressar na faculdade de Direito. O curso de Direito dura, em média, 3 anos e, a partir do 2 ano, a grade curricular é montada pelo próprio aluno.

Os professores - que, quase à unanimidade, não desempenham outra atividade que não a do magistério - sempre enviam, alguns dias antes do início das aulas, e-mails, para todos os alunos matriculados na disciplina, com o cronograma do curso (o syllabus), contendo todas as tarefas e leituras referentes a cada aula do semestre.

É obrigatório que todos os alunos leiam todo o material indicado para cada dia de aula; uma leitura bastante extensa, incluindo, muitas vezes, vários capítulos de um livro. O syllabus contem tarefas, inclusive, para o primeiro dia de aula. Por isso, uma semana antes das aulas começarem, a biblioteca fica repleta de alunos cumprindo suas respectivas tarefas agendadas para o primeiro dia.

O material didático é composto de Casebooks, isto é, livros com pouca explicação da matéria e muitos casos. O alunos aprendem sempre com base em casos, pois o ensino jurídico americano é muito voltado para o caso concreto e o Direito na prática.

O ensino nas faculdades de Direito norte-americanas se baseia no método socrático, ou seja, os professores tendem a responder às perguntas dos alunos sempre com outra pergunta, estimulando a discussão e o debate, de modo a construírem, professor e aluno, o conhecimento juntos.

Diz-se que, nas salas de aula americanas, o professor e os alunos se encontram em pé de igualdade, ambos buscando aprender. Os alunos são constantemente incentivados a questionarem e a participação é sempre considerada na hora da pontuação.

Logo, as aulas de Direito nunca são expositivas, mas sempre discursivas. O professor ministra sua aula dirigindo perguntas aos alunos, as quais devem ser respondidas com base na leitura prévia. Por essa razão, as turmas são, em sua maioria, bem reduzidas (cursamos uma matéria, por exemplo, na qual somente 10 pessoas estavam matriculados).

Outra discrepância com o nosso sistema são os métodos avaliativos. Em primeiro lugar, as notas são dadas quase sempre em curva. Isso significa que a nota de cada aluno é atribuída em comparação com a do colega. Via de regra, somente 10% da classe pode obter conceito A, 25% B, 35% C, 30% D, alguns poucos sendo reprovados.

Tal sistema proporciona uma forte competição entre os alunos. Cada um estuda com seus próprios materiais e ninguém empresta anotações, resumos ou similares, vez que, se um aluno ajudar o outro, estará se prejudicando.

Por fim, os alunos recebem suas notas contendo a posição na qual eles se encontram perante o restante da turma, ou seja, suas colocações em um ranking de melhores alunos. Isto é de extrema importância para os alunos de Direto, pois os grandes escritórios valorizam boas notas e contratam apenas os mais bem conceituados.

Os professores tem total liberdade para escolher como os pontos do semestre serão distribuídos. Alguns optam pela elaboração de artigos, outros mesclam artigos e provas escritas e ainda tem aqueles que decidem aplicar somente uma prova ao final do semestre.

Em função do próprio sistema jurídico norte-americano, os professores não levam em conta, na hora da avaliação, se o aluno decorou cada trecho do livro ou se gravou cada palavra dita em sala de aula. O relevante é que as respostas às questões nas provas e o raciocínio apresentado nos artigos sejam capazes de convencer o professor.

O que se busca desenvolver e aperfeiçoar é sempre a persuasão. Os alunos de Direito estadunidenses são treinados a ganharem casos, o que é feito provando ser seu argumento o melhor e destruindo o argumento adversário.

Finalmente, um aspecto que nos marcou é a estrutura fornecida pela universidade, principalmente para pesquisa. Existem 56 bibliotecas no campus, sendo muitas delas 24 horas. As bibliotecas são equipadas com máquinas de xerox e scanners, cafeteria, computadores, máquinas de refrigerante e salgadinhos, sofás... Enfim, tudo o que o aluno possa precisar.

Além do vastíssimo banco de dados da própria universidade (para se ter uma idéia, é possível ler a Folha de São Paulo através do site da biblioteca, dentre outros milhares de jornais, revistas e artigos de toda parte do globo), existe ainda um convênio celebrado entre a University of Wisconsin-Madison e diversas outras universidades do mundo (inclusive a USP), por meio do qual o aluno pode encomendar, via internet, um livro que se encontra em outra biblioteca (no Brasil, na Europa, etc.) sem qualquer custo adicional.

Ademais, não há limite máximo de livros por aluno e as bibliotecas emprestam, além de livros, é claro, DVDs, jogos de video game e, até mesmo, notebooks e carregadores, tudo com a simples apresentação da carteira da biblioteca. Por último, existem equipes espalhadas pelo campus para auxiliar os alunos na elaboração de artigos e resolução de exercícios, corrigindo e dando dicas".

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Uma outra realidade ou um sonho para nós brasileiros. Fico perguntando-me, sem deixar morrer a esperança, quando será assim no Brasil?

18 comentários:

  1. Nossa, amiga!!!
    É realmente um sonho uma universidade assim... método socrático!
    Eu também me faço a mesma pergunta, rss.
    Beijos!

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  2. Resposta: NUNCA!

    Ninguém tem interesse que isto ocorra, infelizmente!

    Abraços!

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  3. "Resposta: NUNCA!"
    Além dos desinteressados, existem os desacreditados.
    Por isso TAMBÉM o país demora tanto a melhorar.

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  4. Nunca.Não sou desinteressado,nem desacreditado.INFELIZMENTE,REALISTA.

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  5. o Brasil so é um meio de corrupisão os proprios deputados estão roubando. o que ensentiva a populasão a roubar isso quer diser porque não seguimos esses exemplos, não. não queremos algo asim queremos qualidade de ensino como de outros pais. se conseguimos sustenta nossa vida não prisisaremos roubar, mas ninguem toma atitude nesse Brasil por que não seguir exemplos dos, eua,englaterra,candá etc.e de não ocorrer isso o qué acontese. ( quem não quer estudar vai pra escola publica) mas quem quer estudar e não tem comdisões finaseiras acaba seguindo estes exenplos de escola publica.

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    1. De tudo, só uma coisa me impressionou: após um ano e meio não há um comentário elogiando a sua maneira inteligente de criticar o cenário brasileiro. Confesso que fiquei curioso para conhece-la mais.
      Obs. por outro lado, existe a possibilidade da minha análise estar errada..

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  6. Pela gramática acima " nat" já imaginamos e nos damos conta de quão precária é a educação aqui no Brasil. Não é porque temos corruptos no poder que o país não pode ser como um país de "primeiro mundo" basta fazermos nos mesmos a diferença...As eleições vem aí se continuar corruptos no poder é porque nosos deixamos ou os colocamos lá. ESTUDA!!!

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    1. Rapaz!! Voce deu a resposta certa para a Nat.
      Ela é um exemplo de como nosso estudo primário é ruim.

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    2. Às vezes um que escreve mal tem mais bom senso e ética que muitos letrados que estão no poder.
      Está faltando ética, solidariedade, bom senso, enfim: respeito...
      o resto vem por acréscimo.
      Continue Nat,
      faça a diferença;
      se não tem na escola...
      faça sozinha(o.

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  7. Fause Elias Abrão4 de outubro de 2012 16:29

    O Brasil está mudando! isto porque, nós estamos mudando, portanto, sejamos otimistas em acreditar que logo seremos um país desenvolvido, com ótimas faculdades, com estrutura física e pedagógica dentro do que existe de melhor no mundo.

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  8. SÓ RINDO DO NOSSO ENSINO.

    INFELISMENTE, NÓS NÃO TEREMOS TÃO CEDO A QUALIDADE DE ENSINO QUE AS OUTRAS UNIVERSIDADES ESTRANGEIRAS TEM!

    NÃO QUERENDO SER ARROGANTE, MAS NOSSO PAÍS TEM QUE SE FUDER, CAIR, PARA SABER QUE NAO É DESSE JEITO QUE SE CHEGA Á ALGUM LUGAR, MAS SIM, MELHORANDO, MELHORANDO MESMO A QUALIDADE DE ENSINO E SAÚDE, QUE É O FUNDAMENTAL PARA O CRESCIMENTO DO PÁIS...
    DAQUI A POUCO, OU "SI" ACONTECER DE NOSSO PAÍS COMEÇAR A TER UMA QUALIDADE DE ENSINO E SE IGUALANDO AS UNIVERSIDADES ESTRANGEIRAS, ACHO QUE JÁ VAI ESTAR UM POUCO TARDE...

    MAS É ISSO, NÓS BRASILEIROS NUNCA PERDEMOS A ESPERANÇA. QUEREMOS O MELHOR PARA O PÁIS E SEU POVO, MAS INFELISMENTE NÃO É O POVO QUE NESSE CASO FAÇA COM QUE MELHORE O ENSINO E A SAÚDE, MAS SIM QUEM ESTAR NO PODER DE FAZER ISTO ACONTECER..

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    1. INFELIZMENTE não temos a organização dos norte - americanos...Infelizmente...

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  9. A quem interessa educação de qualidade? Ao governo com certeza que não. Dominar um povo analfabeto é mais facil que dominar um povo letrado. Lembra da dominação européia na Africa no século passado? O intelectual dominando o analfabeto. Investir em educação é retirar os grilhões da ignorancia. E isso, meu caro, ninguem do poder quer...

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  10. Rapaz! Fiquei impressionado. Acho que irei procurar esta universidade para planos futuros. Obrigado por compartilhar o texto.

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  11. Eu conheço esse perfil de de universidade americana e de fato o texto está muito bem redigido, bem claro etc. Realmente a infraestrutura beira o inacreditável devido a enormidade de recursos disponibilizados para os alunos. Lembro de um amigo meu que literalmente morou em uma biblioteca (na Universidade de Indiana)... rsrsrs... Porém, creio que muito de nossa formação aqui no Brasil torna nossa passagem por uma Universidade americana algo um tanto complicado, digo isso porque é essencial que você se insira em alguma "comunidade" para que consiga "sobreviver" à realidade que eles exigem lá..! o nível é altíssimo, é muito pesado, praticamente ninguém olha pra ninguém, ninguém ajuda ninguém, há um certo sentimento de que "se você não conseguir, adeus, azar o seu, um a menos para o meu mercado de trabalho". Ou seja, dependendo da pessoa, da formação básica, da cultura, isso pode ser algo de uma frustração terrível. E outra, os professores praticamente não ensinam NADA (eles chegam em sala e expõem o conteúdo de forma linear, regular, metódica) e espaço para algo como "tirar dúvida"? "ir no gabinete do professor"? NEM PENSAR...!!! Enfim, é pesado sim, difícil pra caramba onde o raciocínio é "ou você desiste 'rapidin' ou, de forma inevitável, você simplesmente APRENDE", só que aprende porque você dará a vida pra conseguir "fazer parte" daquele meio.

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    1. Na vida tudo têm que ser batalhado meu amigo João se você pensa que alguém vai te ajudar está muito enganado ! Lá eles ensinam o que é a vida real não isso aqui neste país onde o interesse é uma massa de analfabetos fácil de ser manipulada. Ensino fraco onde um estudante de 8ª série nem sabe escrever direito, eu li alguns comentários acima sobre a mudança no nosso país e sinto dar uma péssima notícia além do país estar "quebrado" vai levar muito tempo pra mudar porque não são os políticos que são corruptos é o povo ! Se não mudar a base social o resto não muda.
      Fico revoltado quando entro em um ônibus e vejo um jovem sentado no banco do idoso fingindo que está dormindo pra não ter que levantar e dar lugar pra quem direito merece, enquanto as coisas mais simples não mudarem imagina o resto . Meu filho estuda inglês e pretende estudar nos EUA eu dou a maior força e se der tudo certo vou com ele , porque aqui não dá mais ! Eu amo meu país mas o que vejo na rua as pessoas e suas atitudes , ninguém pensa no próximo , não existe respeito com o próximo isto têm que vir de berço mas a individualidade é muito clara. Não existe respeito com o idoso com o deficiente etc e quando digo isto não é só do governo é da população do povo. Os políticos vem de onde ? Não é do povo ? Quem coloca estes bandidos pra governar o país somos nós mesmos e depois ficamos reclamando !

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    2. Exatamente... Eu só consegui sobreviver nesse meio acadêmico quando levantei a cabeça e corri atrás. Eis aí o problema de muitos, a expectativa de que "alguém tem que fazer por mim", isso é terrível, mas é isso que vivemos atualmente. Nossa formação moral/ética, nossa postura de "amanhã eu faço" é algo muito sério e que não encontrará solução tão rapidamente. Valeu e tudo de bom.

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    3. Concordo com vocês , a população em si tem que se avaliar ,precisamos de pessoas que pensem no coletivo e não apenas em si mesmo , quando o não há uma sociedade respeitosa é muito difícil ter uma evolução ,na vida precisamos respeitar ,parar de ser um cidadão hipócrita .

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